“A desumanidade do homem para com o homem, e ainda pior, para as crianças” (“Man's inhumanity to man and worse still, to child”)(The Cranberries)
e ainda: “Mais de dois milhões de crianças foram mortas em guerras nos últimos dez anos, enquanto seis milhões ficaram mutiladas, 12 milhões perderam suas casas e mais de 10 milhões sofreram danos psicológicos irrevesíveis. O trágico quadro foi denunciado pela ONU e os dados mostram que estamos diante de um novo holocausto de inocentes.” (Estado de Minas, 13 de outubro de 1998)
Crianças jogadas no furor da guerra dos adultos imaturos, crianças que não sabem o que sejam certo ou errado (e os adultos sabem?), não importa sedo 'lado certo' ou do 'lado errado' – precisam se defender e atacar...
Que liberdade tinha a Anne Frank? Ou o Shmuel de “O Menino do Pijama Listrado”? Ou a Zlata em Sarajevo, campo de batalha urbano?
Que liberdade há? Os arautos da liberdade (existencial, política, social) não sabem... O que Sartre queria dizer com “condenados à liberdade”? Ou com “fazermos algo do que fizeram de nós”? Ou textualmente: “O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós.”
A liberdade é escolher entre cartas já marcadas? E quando se nasce num campo de concentração? Ou num campo de batalha? Nascemos num dado contexto histórico, aprendemos um idioma, servimos a umapátria, além de um patrão... Os líderes 'formatam' seus seguidores desde criança – vide a Juventude Leninista, o Komsomol, ou a Juventude Hitlerista, a Hitlerjugend.
Está na moda (e no mercado) os livros best-sellers sobre crianças nas guerras, ou melhor, sobre as guerras vivenciadas pelas crianças. A referência é um dos livros mais famosos (e clássicos) sobre a temática – o “Diário de Anne Frank”, publicado após a Segunda Guerra Mundial, pelo pai da menina, ela que não sobreviveu ao campo de concentração. Trata da invasão da Holanda, em 1940, a perseguição aos cidadãos judeus, obrigados a buscar refúgio em porões, em sótãos, a viverem em dependência de vizinhos, que driblam as políticas nazistas de prisão e extermínio.
Tamanho é o poder do testemunho de Anne – que praticamente passou de criança à adolescente num sótão abafado, a lidar com a puberdade entre os conflitos internos (dos pais, dos vizinhos) e externos (a guerra entre os Aliados e os nazistas), e tentando descrever tudo isso numa prosa que evidencia a grande escritora que perdemos.
Depois, em pleno pós-Guerra Fria, com o fim do 'socialismo real' (que o capitalismo real festejou!), com a implosão da URSS e com a guerra civil na Iugoslávia, fez alarde um “Diário de Zlata” (1993), aqui no Brasil, em edição traduzida o exemplar francês, “Le Journal de Zlata”, onde a menina Zlata Filipovic descreve a capital bósnia, Sarajevo, sob ataque das forças sérvias, em 1992. Zlata foi mesmo considerada uma “Anne Frank de Sarajevo”, versão moderna do drama “criança no teatro de guerra.”
“Estão bombardeando, as granadas caem. É mesmo a GUERRA. Papai e mamãe estão muito preocupados; ontem à noite eles ficaram acordados até tarde, ficaram conversando muito tempo. Estão tentando descobrir o que fazer, mas está difícil ter bom senso. Será que devemos partir e nos separar, ou ficar aqui todos juntos? (...) Percebo que a coisa vai mal. A paz chegou ao fim. A guerra entrou de repente em nossa cidade, em nossa casa, em nossas cabeças, em nossas vidas. É horrível. Tão horrível quanto ver mamãe arrumar minha mala.” (trad. Antonio de Macedo Soares & Heloisa Jahn)
Outro best-seller do momento aborda a temática: “A menina que roubava livros” (A Book Thief, 2005), do australiano Markus Zusak, de ascendência germânica, a abordar o bombardeio das cidades alemãs e o drama do Holocausto – a perseguição nazistas aos judeus – sob o olhar de uma menina que adora surrupiar livros alheios, e sobrevive aos golpes da morte ao redor. (Tanto que a Morte passa a se interessar pela menina e narra a vicissitudes da protagonista...)
Novamente abordando o Holocausto (já havendo toda uma literatura, aceita ou não, acadêmica ou não, ficcional ou não, sobre o tema Shoah...), temos – na perspectiva infantil – a obra best-seller “O Menino do pijama listrado” (“The Boy in the Striped Pyjamas”, 2006, do irlandês John Boyne, onde Bruno, filho de comandante nazista faz amizade com Shmuel, judeu (de pijama listrado) na cercanias (e nas cercas) do campo de concentração de Auschwitz. É uma fábula (diz a propaganda) sobre a amizade no tempo de guerra, sobre as crianças que desconhecem o que seja 'inimigo', e morrem inocentes do perigo ao lado.
“O garoto era menor do que Bruno e estava sentado no chão com uma expressão de desamparo. Ele vestia o mesmo pijama listrado que todas as outras pessoas daquele lado da cerca, e um boné listrado de pano. Não tinha sapatos ou meias, e os pés estavam um pouco sujos. No braço ele trazia uma braçadeira com uma estrela desenhada.” (trad. Augusto Pacheco Calil)
O livro gerou tamanha repercussão que já virou filme, em 2008, sob direção de Mark Herman, com o jovem ator (nascido em 1997) Asa Butterfield, no papel do protagonista Bruno, que no livro tem nove anos. A inocente criança moída e consumida pelas engrenagens da guerra. Para muitos, uma criança 'inocente até demais', que não percebe morar ao lado de uma enorme prisão, onde as pessoas de pijamas listrados gradativamente desaparecem...
Como uma alegoria do ex-patriado temos a obra “Memórias de um menino que se tornou estrangeiro”, de 2007, do paulista Marcos Cezar de Freitas, que mostra um menino-narrador, em fuga, dentro da própria cidade bombardeada, em ruínas, perdendo as referências, depois seguindo para terras estrangeiras, onde a guerra ainda não chegou, e vendo-se 'estranho', a reconstruir sua identidade (dada coletivamente, na família, na pátria, no mundo), enquanto a guerra cria um imenso muro a separar as pessoas, os povos. Quem é o estrangeiro? Quem é o inimigo? A guerra rotula e segmenta, cria abismos sociais e perpetua preconceitos.
“De que país eu era, então? Meu país era um navio?” Indaga-se o protagonista-narrador, ao ver-se partindo para o exílio, junto aos refugiados, os cidadãos de outrora, agora obrigados a depender a boa-vontade de outros cidadãos de outros países, além das agências internacionais que trabalham para amenizar os traumas das guerras. Mas em outra cidade de outro país, serão sempre os estrangeiros, com outro idioma, outro modo de vida, sempre em guettos, sempre temendo os 'pogroms', pois a xenofobia é um vírus encubado a espera de uma ocasião explosiva para se disseminar, atrás de novas vítimas.
Hoje as crianças na guerra são as africanas. O Primeiro-Mundo vendeu seus arsenais (já ultrapassados!) para o Terceiro Mundo – e agora são os pobres que se matam. Não há uma Guerra Mundial entre imperialistas, mas Guerras Regionais entre tribos e etnias rivais, entre interesses comerciais, entre crenças díspares, entre fronteiras incertas. Como podemos ver no filme “O Senhor das Armas” (Lord of War, USA, 2005, com Nicolas Cage), que mostra os conflitos na Libéria, na Serra Leoa, no Sudão, no Líbano, que se alimentam de armamentos contrabandeados do Leste europeu, dos Estados Unidos, num grande mercado obscuro de armamentos, “Não importa onde você vá, lá vai haver uma arma.”, diz, irônico, o protagonista, traficante de armas.
As crianças hoje são soldados-mirins, que empunham armas e disseminam minas, vitimadas e vitimando, sofrendo ao lado dos adultos e lutando ao lado (e contra) os exércitos, as guerrilhas, os terroristas, em nome de deuses e etnias, de crenças e ideologias, perdendo todas as promessas de um futuro.
Já está montada na home do Cronópios o painel para a exibição AOVIVO do Stand-up Literatura de domingo com o Tavinho Paes. Ele promete convocar convidados especiais para participar da apresentação. O Stand-up começa como sempre às 15h00 no domingo. Se você puder comparecer vamos fazer festa. Senão não puder, acompanhe tudo online e em tempo real pela home do Cronópios. Participe fazendo perguntas pelo Café Literário, que em dia de Stand-up se transforma em CHAT.
Tavinho Paes é carioca, poeta, compositor e velho conhecido do meio intelectual. Com mais de 200 registros musicais - como "Totalmente Demais" (Caetano Veloso) e "Rádio Blá" (Lobão) -, Tavinho tem cerca de 100 títulos lançados como panfletos marginais desde 1975. Seu livro, "Os Momossexuais", lançado em 2007, reúne diversas marchinhas de Carnaval de sua autoria, narrando um pouco da história recente do Brasil, repleto de um humor sarcástico e debochado. Em 2008 lançou ''Buzinaí Naïf'', que carrega toda verve poética mais recente, mostrando que o amadurecimento vem com tempo e a criação literária deve ser um exercício constante para atingir a perfeição. Ambos sairam pela editora Ibis Libris.
Stand-up Literatura com Marcelo Tápia Dia 07 de junho, domingo, às 15h00 Livraria Martins Fontes - Av. Paulista, 509
sobre a obra Outros Barulhos (Anome Livros, 2008) do cantor e poeta Reynaldo Bessa
Poesia do Ontem e do Aqui-Agora
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Os entrelaçamentos de Poesia e Música remontam aos tempos de outrora, milênios além da nossa limitada imaginação, quando os primeiros sons foram pronunciados e ouvidos, ou entoados ao som de cordas, ou ao ritmo de batuques, para o culto dos deuses ou o elogio dos mortos. Poesia cantada, no compasso, e poesia escrita, no papel, somente se separaram tempos depois, quando a Escrita passou a ser um novo patrimônio, principalemente dos escribas e artistas dos palácios.
Hoje as versões musicadas de poemas fazem um certo sucesso, pois resgatam justamente esse híbrido de outrora, Poesia-Som, sendo mais emotivo que a Poesia-Texto, que perseguem os leitores, desde estudantes. E é necessário semelhante apelo, pois o Poeta precisa 'fazer barulho', chamar e apelar, mostrar que existe e que a Fala Poética não morreu, jaz adormecida. Excelente forma de Expressão encontramos na Música.
Assim o cantor e poeta Reynaldo Bessa, natural de Mossoró, Rio Grande do Norte, é conhecido entre os que gostam de Poesia e de Música Popular, ainda mais com as parcerias, nomes tais como José Luis Peixoto (Portugal) e Fabrício Carpenejar (Rio Grande do Sul), além de adaptações musicais, em forma de canções, de clássicos poemas de nossa literatura (exemplos são "Canção do Exílio", de Gonçalves Dias, e "Hão de chorar por ela os cinamomos", de Alphonsus de Guimaraens), que permanecem no agrado do público ávido de expressões novas, híbridas, expressivas.
Mas este ensaio será dedicado não ao Autor, ou sua carreira musical (muito interessante por sinal), mas ao seu livro recentemente lançado, "Outros Barulhos", pelo selo editorial mineiro e belorizontino Anome Livros, com poemas em brasilês e também inglês (em tradução de Sérgio Ivanchuk), o que aumenta significamente o número de leitores, speaking a língua do Império.
/a Obra/
Poesia sobre o Passado
Destacam-se os Poemas de lembranças, tematizando a infância, a família, em tom saudosista, pleno de versos imagéticos e narrativos, quase prosa em verso, "uma noite / minha mãe / puxava-me pela mão / éramos quatro;/ eu, ela, o medo e a pressa / disso lembro-me bem / enquanto os três conversavam / eu pregava os olhos tristes das casas e /me dava uma tremenda vontade de perguntar / "mamãe, o que elas têm?" (p. 14)
ou
um dia caminhei descalço por entre as poças deixadas pela chuva. Meus pés balançavam as estrelas, baldeava o céu relampejava e eu não tinha medo. Como pode alguém com fome ter medo de relâmpagos? (p.18)
e
meu irmão costumava me despertar no meio da noite para lhe fazer companhia medos se remexiam dentro dele, traziam notícias do futuro ... (p.23)
onde as lembranças resguardam as presenças dos familiares, nos momentos plenos de cargas emotivas,
"quanta saudade / saudade de tudo / como se eu fosse muitos / minha mãe várias / meu pai todos," numa série de lembranças, as mais remotas, onde o eu-de-agora se vê sobrecarregado pelas emoções do eu-de-ontem, "lembro, lembro, lembro / saudade de tudo / até do dia em que cortei o dedo" (p. 48)
Essa relação dos vários Eu dentro do Poeta é problematizada em "a cada manhã / já não sou mais o de ontem / um dos meus tantos se foi tragado / pelas malhas dos sonhos" (p. 68), trecho do belo poema, onde o tom lírico se funde ao filosófico, quando a mente se prende nas teias do tempo,
estou sempre aonde não vou nunca estou onde estou o passado é uma grande mala sem alça que teimo em carregá-la e o futuro é alguém que sempre parte quando acabo de chegar (p. 52)
Mas este desconforto com o passado enquanto fardo é aliviado num poeminha lúdico, "eu sou o que lembro / ou o que esqueci?" (p.39), uma pergunta que certamente deve ter empolgado Marcel Proust e Pedro Nava, dois memoralistas, um francês, o outro mineiro, às voltas com os percalços do lembrar-e-esquecer.
Em minha calça está grudado um nome Que não é meu de batismo ou de cartório Um nome... estranho. Meu blusão traz lembrete de bebida Que jamais pus na boca, nessa vida, Em minha camiseta, a marca de cigarro Que não fumo, até hoje não fumei. Minhas meias falam de produtos Que nunca experimentei Mas são comunicados a meus pés. Meu tênis é proclama colorido De alguma coisa não provada Por este provador de longa idade. Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro, Minha gravata e cinto e escova e pente, Meu copo, minha xícara, Minha toalha de banho e sabonete, Meu isso, meu aquilo. Desde a cabeça ao bico dos sapatos, São mensagens, Letras falantes, Gritos visuais, Ordens de uso, abuso, reincidências. Costume, hábito, permência, Indispensabilidade, E fazem de mim homem-anúncio itinerante, Escravo da matéria anunciada. Estou, estou na moda. É duro andar na moda, ainda que a moda Seja negar minha identidade, Trocá-la por mil, açambarcando Todas as marcas registradas, Todos os logotipos do mercado. Com que inocência demito-me de ser Eu que antes era e me sabia Tão diverso de outros, tão mim mesmo, Ser pensante sentinte e solitário Com outros seres diversos e conscientes De sua humana, invencível condição. Agora sou anúncio Ora vulgar ora bizarro. Em língua nacional ou em qualquer língua (Qualquer principalmente.) E nisto me comparo, tiro glória De minha anulação. Não sou - vê lá - anúncio contratado. Eu é que mimosamente pago Para anunciar, para vender Em bares festas praias pérgulas piscinas, E bem à vista exibo esta etiqueta Global no corpo que desiste De ser veste e sandália de uma essência Tão viva, independente, Que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora Meu gosto e capacidade de escolher, Minhas idiossincrasias tão pessoais, Tão minhas que no rosto se espelhavam E cada gesto, cada olhar Cada vinco da roupa Sou gravado de forma universal, Saio da estamparia, não de casa, Da vitrine me tiram, recolocam, Objeto pulsante mas objeto Que se oferece como signo dos outros Objetos estáticos, tarifados. Por me ostentar assim, tão orgulhoso De ser não eu, mas artigo industrial, Peço que meu nome retifiquem. Já não me convém o título de homem. Meu nome novo é Coisa. Eu sou a Coisa, coisamente.
Sobre os poemas de Diovvani Mendonça (divulgados em blogs, zines, pacote de pão)
Poeminhas para distrair dor de dente
Parte 1
Diante da necessidade de poemar infindamente os poetas precisam de um suporte espiritual ou material, virtual ou em celulose para os seus registros de versos que não podem ficar apenas dispersos ao vento. Ainda que os melhores versos realmente sejam levados pela brisa noturna meio ao resmungar solitário entre andanças e angustias, não podemos privar os leitores de conhecerem ao menos alguns versos, não que sejam os menos, ou até os piores.
Divulgar é uma arte tão sutil quanto rascunhar, rabiscar, esboçar versos e versinhos, poemas e poeminhas num papel ou no monitor do PC, no aconchego do lar ou no tumulto de lan house, o importante é registro o mínimo da produção poética. Aquele poema que surgiu e sumiu no sonho ou pesadelo, aquele que foi declamado ao pé de uma arvore paradisiaca ou na parada de onibus, poemas mil que se perderam.
Divulgar é uma perenização de 1% que a produção ousou, a imaginação conquistou, o papel ou monitor absorveu. Poucos vão tomar conhecimento, poucos vão abrir o e-mail, poucos vão ler realmente. Mas o poeta não pode desanimar. Se os versos não são os melhores - e sim aqueles que foram mentalizados no banho quente da manhã ou no momento orgasmico do amor - não vamos privar os seletos leitores de uma amostra grátis do que poderíamos ter escrito.
Insights, intuições, psicografias, os nomes são inumeros para retratar os momentos de iluminação que rasgam o cotidiano do/a poeta quando ele/ela produz os versos que alguns nunca vão ler mas outros nunca vão esquecer. "Uma flor nasceu na rua!" - em que momento da pacata vida de Drummond ele pensou esse verso tão simples e tão extraordinário! Uma flor em pleno asfalto! Uma beleza em plena fuligem! E se ele não divulgasse? Seríamos hoje muito mais pobres de espírito (e percepção!)
Assim a divulgação múltipla da poesia é plenamente necessária e aplaudida. Seja em papel, em xerox, mimeografo, pacote de pão, blogs, dentro do metrô, dentro do onibus, tipo, voce entra num metrô e eis um poema, voce embarca num onibus e eis um poema, ali, balançando, bolinando entre as suas pernas, vai comprar um pão e - opa! - um poema! O poema derramado pra todo lugar, de repente, nunca esperado, solicitando atenção - um minuto de vossa atenção! um minutinho só!
Necessaria e merecedora de aplauso as iniciativas do poeta e agitador cultural Diovvani Mendonça - mais encontravel no blog www.diovmendonca.blogspot.com , mas circulando por aí em pacotes de pão, garrafas plásticas, edições em cartaz do Mulheres Emergentes, ministrando aulas de poesia nas escolas particulares e da rede pública, dormitando sob uma arvore carregada de frutos-poemas.
O poeta que distribui seus pequenos poemas (e há também os extensos) nas mil mídias citadas além de distribuir garrafas pet com versos - aqueles very old manuscritos numa garrafa que tanto atraia a curiosidade do jovem Edgar Allan Poe a imaginar mil mensagens de piratas e tesouros - em visitas e saraus meios aos comportados, disciplinados, mas também alvoroçados alunos.
Os poemas minimos de Diovvani Mendonça procuram captar um momento e dizer algo a respeito, algo que mereça ser dito, nem que venha soar infantil, obvio e inutil. Uma poesia simples para distrair do cotidiano - e apontar a mesmice - para descrever uma sensação e fotografar algo no fluxo do tempo - nem que seja para fazer esquecer uma dor de dente.
Poesias que nascem da leitura de poesia, quando o poeta não nega suas influencias - a sindrome da influencia, como diria o critico Harold Bloom - quando segue trilhas já pisadas ou quando se desvia curioso por outras sendas, perigosas veredas, criando um mundo novo - como fez o notavel Guimarães Rosa - com outro trajeto, outros mapas, outros pontos de referencia.
Assim vai seguindo o poeta Diovvani na Estradinha Carlos Drummond de Andrade,
No meio do caminho do poeta tinha uma pedra, tinha uma pedra. Tinha sim, uma pedra; bem no meio do caminho dele."
E reconhece a influencia palpitante, tropeçante, palmilhante,
E que estilingue a primeira pedra, quem disser que sou plagiador. Que aproveito da fama do Poeta. Eu, mero peão, doido de pedra e por pedra.
E Diovvani não "luta com as palavras" (a "luta mais vã", segundo o mesmo CDA), decidido a esperar distraido que as palavras se aproximem e venham brincar, "Tudo bem... admito: / sou mesmo / orelha seca / com as palavras. // Por isso / não brigo / mais com elas / só brinco, / : bijuterias:", onde brincando com as palavras, levemente, distraidamente, é capaz de construir a leveza, a insustentavel leveza, da poesia,
Não me levem demasiado a sério. É que um vento antigo, traquina e moleque,
desses de empinar papagaio de taquara e seda no azul, tem despenteado o leque no abanar meus pensamentos.
(Papagaiado)
onde o poeta não pretende forçar as palavras (nem o leitor) a um formato, a um estilo ou estetica, mas soltar-se justamente dessa visão academica (e formatada) de fazer poesia. É a mesma empolgação dos modernistas, de Manuel Bandeira, de Mário de Andrade, ou atualmente um Manoel de Barros, quando querem subverter esses academicismos com poemas leves (e também CDA quando começou a carreira, ou alguém já se esqueceu da perola "Cidadezinha Qualquer"? "Um homem vai devagar. Um cachorro vai devagar. Um burro vai devagar. Que vida besta, meu Deus")
Assim também é "Auto-elogio à minha alma-palhaça", onde a escrita é uma caricia de uma pena desde dentro, "Não tenho penas. /Tenho pernas. / Por isso:/ sei andar e não voar.// Mas sei que penas / de outra natureza, / também moram / dentro de mim", é quando o poeta quer voar, aprender a voar, em ansias de voar, e a poesia é que acaba batendo asas alçando voo...
Local: : Armazém Bar Cultural Endereço: rua Manoel de Matos, 110 - Centro – Contagem - MG Dia: 20/12/08 (sábado) Horário: 21h Entrada: R$ 3,00 Preço do Livro: R$ 15,00 Reserva de mesa: (31) 3044-7901 – Rodrigo
Sobre a obra PRIMEIRAPESSOAPLURAL
do Poeta Lecy Pereira Sousa
by Leonardo de Magalhaens
Poemaremos por falta de opção Sabemos que o mito da 'oportunidade igual' para todos' se revela um mito tão fabulístico quanto a 'liberdade de mercado'. Percebemos que 'o mercado sem Estado' é mera 'ideologia neoliberal', e que se a 'vida é uma corrida', alguns saem 50 metros a frente de outros tantos.
Sendo assim qualquer pregação de coerência revela-se ideológica e metafísica - não há redenção no 'deserto do real'. Só há uma existência do 'sou o que tenho' e uma pseudo-existência virtual - 'sou o que a mídia(os outros) diz(em)'. Sem opção, sem oportunidades, resta a ironia, o poemaremos por teimosia, por cinismo, por insubordinação e 'desobediência civil'. Assim, o Poeta Lecy Pereira Sousa não busca um 'sistema poético', não vem pregar mais nada, apenas distribuir fragmentos em rascunhos em guardanapos, num 'mix' de influências, num mosaico de colagens, juntando logomarcas e citações, numa série de imagens cubistas, quadrilhas futuristas e 'haicais' irônicos.
A poesia de PRIMEIRAPESSOAPLURAL é demasiadamente pessoal sendo obscenamente coletiva, numa bacanal de linguagens, numa orgia de corpos-objetos, sem deixar de denunciar e de verter amargura. Confira o texto integral em www.diovmendonca.blogspot.com
Não esconderei mais minha face deles, quando eu houver derramado meu espírito... Ezequiel 39 .v29 bíblia sagrada.
Em tempos em que observamos a degradação de nossa sociedade, o roubar, o prostituir, o se vender, o comprar isto ou aquilo de má ordem, nos vem a tristeza, ver pastores roubando e fiéis gritando glória! Ver padres abusando de crianças e beatos gritando glória! Glória! Ver deputados, senadores, prefeitos, governadores entre outros fazendo de seus mandatos uma festa para eles e o povo caminhando como boi ao matadouro. Esse povo não se condói de sua própria dor, esse povo imbele também quer uma fatia deste pão nem que seja pelos mesmos atos praticados por estes pseudopolíticos e paranormais das igrejas. Esse povo, e quando digo, esse povo me refiro aos que podem fazer algo e não o fazem, apenas riem de seus íntimos desespero. Continuamos obcecados pelo dinheiro, manipulados pela mídia que nos oferece sempre algo a se consumir, nos consumindo pelos produtos a serem consumidos... Continuamos obcecados pelo dinheiro e contubérnios a todos os que o tem, mesmos que esses sejam atrozes, e tragam á este povo casmurro a doença, basta apenas uma aleivosia, um dulcilóquo tratamento e um bolso cheio de dinheiro... Despeja-se nestes elogios de todas as formas e vaidosamente como é comum nestes, ricos de terno e pobres de alma, apenas pisarem em seu povo. Criam-se leis para isto e aquilo como se somente a criação de leis resolvesse o problema social em que vivemos. Leis proíbem beber e dirigir, e mesmo havendo essas leis os grandes, sempre os grandes encabeçam as listas de infratores e não respeitam estas leis e não são condenados por isso como por milagre... Se um motoboy colide sua moto e morre, ele já, como sempre acontece, é julgado, condenado por imprudência por todos em volta ao corpo. Se este for um policial, político ou mais, de alguma entidade religiosa, este será santificado, deixa de ser culpado e vira mártir, dois pesos duas medidas... Assim é e sempre foi, mas continuará assim só se quisermos continuar nos omitindo perante nós mesmos sobre tudo o que acontece. Aconteceu outra tragédia como sempre acontece e sempre acontecerá, e agora? Quem você chamará? Chapolim? Super Homem? Não! Chamarão o governo, as entidades filantrópicas que se gabam tanto de ajudar ano após ano. Chamarão as igrejas faraônicas, religiões, ONGS e tudo mais... Se todos estes dos que citei anteriormente se dispusesses a nos ajudar, se descessem de seus altares, se ajudassem este povo que sofre, amenizariam grandemente o sofrimento deste povo... Mas não! Tudo o que fazem, são promessas, são promessas futuras que pregam estes falsos salvadores, estes guias cegos, de cegos guiando cegos de dentro e de fora das igrejas. Bom exemplo nos deu Ronaldo fenômeno, doando um pouco á quem precisa. Se dez por cento dos que tem riquezas doassem um pouco do que possuem, todos nós neste rico país estaríamos á caminho da felicidade. A verdadeira felicidade. Mas não! Estes apenas sugam o povo, tiram deste povo o que não tem. Parece até que já está cumprida mais uma promessa da bíblia sagrada, aquela que diz, "Quem tem lhe será dado e quem não tem, até o que parecer ter lhe será tomado” já está esta promessa entre nós cumprida. Voltamos a ser escravos doentes que são jogados aos animais como para se consumirem sozinhos... Falo desta simbologia para com o sistema de saúde, falido como sempre, a saúde, a educação, o conforto dos nossos governantes não pode sucumbir a essa miséria mostrada dia a dia. é triste ver o descaso de todos pastores para com suas ovelhas, ver o descaso de todos os bispos para com seus piões, ver todo o descaso sem alma por todos nós que almejamos desta sociedade marcescível um futuro. O resultado disso é visto nas brigas de transito, nas guerras entre polícia e traficantes, nas fugas pelas drogas de muitos, no desrespeito pela arte em geral, no caminhar triste de um desempregado pela rua que não encontrou emprego ou, de um empregado pela insatisfação com o seu. Na tristeza é que sentimos uns aos outros mas até quando sucumbiremos a tristeza? Até quando a dor será mais forte que a alegria? A promessa de vida longa dita está sendo cumprida aqui entre nós sempre quando fazemos algo de bom, e ao contrário, morremos lentamente em nosso egoísmo. Se não cobrarmos dos representantes as melhorias e apenas ficarmos gritando “glória” ou aplaudindo programas mostrados pela televisão comprados por políticos ficaremos na miséria, ou continuaremos na miséria como ainda vive povos descendentes de escravos hoje em dia, ajoelhando perante o governo” que é seu sinhozinho” para ganhar uma fatia de pão. Devemos já vê a face de Deus em todos ou apenas abaixarmos a cabeça e esperar a morte pois sempre foi mais fácil esperar que outro faça por nós algo do que ir a guerra em busca da vitória, e a maior vitória será o sorriso de seus filhos orgulhosos do que conseguiu seus pais. Um futuro. Um verdadeiro futuro, a terra prometida, a tão sonhada e desejada terra prometida por Deus...
C O N V I T E Leitura Dramatizada de Texto Teatral
Paulo Urban, Beneh Mendes e a Clínica Fênix
convidam você para uma experiência estimulante:
a leitura de uma peça teatral, cuja montagem, prometido sucesso, será levada aos palcos em 2009.
É o instigar da imaginação, o mobilizar dos sentimentos e ver o que ainda não existe...
Sentir a proposta de um espetáculo teatral antes de sua estréia, a partir da leitura de seu texto.
“MACHO COM TERNURA”
uma comédia moderna qualquer coincidência com nomes e situações, é culpa da modernidade Peça teatral de Beneh Mendes
Sobre o Autor: Beneh Mendes traz em seu currículo nada menos que meia centena de espetáculos, sucessos de bilheteria. Com 40 anos de experiência nos palcos, Beneh já atuou como diretor, autor, ator, produtor e administrador teatral. Dentre seus mais conhecidos trabalhos estão peças e espetáculos musicais que marcaram época, que fizeram e fazem história: Ópera do Malandro; Secos e Molhados; Pano de Boca; Sua Excia., o Candidato; Os Filhos de Kennedy; Édipo Rei; Dzi Croquettes e outros.
Entrada Franca! Quarta-feira, 29 outubro de 2008, às 20h30min
Rua Sílvia, 173 - Bela Vista, São Paulo (SP) (local de fácil acesso, situado entre as ruas Pamplona e Itapeva, próximo à Estação Trianon-Masp do metrô, na Av. Paulista)
Obs.: Os poemas Todas as estações e Fiat Lux tiveram performance no 1º Viva Poesia Poesia Viva em Contagem - MG . Confira as imagens em www.diovmendonca.blogspot.com
Para comprar o livro "Primeirapessoaplural",basta clicar sobre o botão abaixo. O Pagseguro é um dos sistemas mais utilizados pelos internautas e pertence ao grupo UOL:
Eu na pluralidade
O livro de poemas "Primeirapessoaplural" é o primeiro livro publicado pelo selo "Árvore dos Poemas". Este selo é uma vertente do Projeto Pão e Poesia criado pelo poeta mineiro Diovvani Mendonça. O projeto Pão e Poesia tem sido amplamente divulgado pela mídia impressa e televisiva do Brasil por todo ano de 2008.
"Primeirapessoaplural" foi lançado em 16 de setembro de 2008, no Palácio das Artes, dentro do Projeto "Terças Poéticas" que tem o poeta Joaquim Palmeira como curador.
Os poemas reunidos neste livro retratam um tempo de supostas convergências e divergências onde o "nós" é o personagem principal. Questionamentos, ironias e algum bom humor dão a tônica do texto. Impresso em papel reciclado, "Primeirapessoaplural" tem diagramação do artista contagense GA, reproduz telas do artista plástico italiano Guido Boletti e tem prefácio do escritor paulistano Paulo Urban.
Primeirapessoaplural, Lecy Pereira Sousa, 62 páginas, Árvore dos Poemas, R$20,00. Contato para aquisição: diovvani@yahoo.com.br